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Vulnerabilidade flagrante


Publicado em 19.12.2007

"O que você está fazendo não é bom" (Ex 18.17). Com essas palavras, Jetro emite um parecer negativo sobre o trabalho daquele que tem sido considerado pelos séculos um dos maiores líderes da humanidade. Para isso foi necessário somente um dia de observação daquilo que estava totalmente oculto à percepção de Moisés. Isso mesmo, Moisés desconhecia o perigo. Os problemas deixam de ser percebidos ao longo de seu processo evolutivo. As mais flagrantes disfunções se tornam hábitos evoluídos e escondem-se aos olhos de quem as pratica. Perguntas simples podem conduzir a grande libertação. Perguntas óbvias impedidas pela timidez daqueles que cercam o líder. Silêncio que mantém o cativeiro e a opressão. Mas para a sorte de Moisés e do povo, Jetro fez perguntas que flagraram a vulnerabilidade de todos eles.

A primeira causa que leva Moisés à posição de vulnerabilidade é a obsessão ministerial ("o povo me procura" v. 15). Moisés mesmo foi quem respondeu assim. Talvez tenha sido atacado por uma bactéria da síndrome messiânica, sentindo-se super-poderoso, superdotado, super-capaz. Talvez tenha se emboscado em uma agenda louca não sabendo estabelecer seus próprios limites. Por um ou outro caminho, sua vida resumia-se a atender o povo. Nada mais fazia sentido na vida. Obsessivo pelo trabalho ministerial, caminhava inconsciente para a falência e destruição própria, de sua família e do povo.

A segunda situação flagrada é a solidão ministerial ("por que sozinho você se assenta?" v. 14). Isolou-se como única fonte da sabedoria e direção divinas. Ignorou que outros poderiam ser capacitados. Esqueceu-se de sua própria história quando se declarou incapaz fazendo Deus levantar Arão para auxiliá-lo. A solidão é uma conveniência instalada entre o sacerdote e o povo. É uma trama silenciosa. Uma cumplicidade entre líder e liderado. É bom para ambos. Ambos gostam de seus benefícios. Por um lado, um sente o poder de ser procurado. Por outro o poder de ser servido. Ambos errados.

A terceira denúncia revelada é a sobrecarga ministerial ("desde a manhã até o cair da tarde" v. 14). Veja bem que não é um problema da modernidade o ter agenda lotada, com compromissos extenuantes, exaustivos. A sobrecarga é útil para sentir-se importante, para chegar ao fim do dia e dizer `vejam como eu me sacrifico pelo ministério`. Esfalfar-se pelo ministério pode ter uma causa de intensa maldade ou plena tolice e ignorância. Não perceber a necessidade de parar, dizer `não`, deixar de fazer algo, deixar outro fazer, podem trazer drásticas conseqüências.

E quanto a nós, lideres da atualidade, o que nos impede de sermos flagrados em nossas vulnerabilidades? Quando nos deixaremos flagrar?

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Título do artigo: Vulnerabilidade flagrante
Autor: Rodolfo Garcia Montosa

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