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Pregação do potencial humano x pregação bíblica


Publicado em 17.09.2007

Outro dia assisti a uma propaganda onde aparecia  um “guru” do potencial humano anunciando seus seminários. Podiam se ver cenas de auditórios lotados com gente sorrindo, manifestando-se efusivamente. Havia entrevistas (entenda-se testemunhos pessoais), com participantes que acabavam de sair dos encontros, com expressões como: “Fui muito abençoado”, “ele mudou a minha vida”, “saí daqui muito melhor”, “você também precisa conhecer e participar”. Para completar o quadro, o palestrante ou pregador do potencial humano, fechava a propaganda dizendo: “Você é a imagem e semelhança de Deus, então venha...”

Tudo isso me chamou muito a atenção, pois as cenas exibidas lembravam muito uma reunião evangélica contemporânea, com palmas, manifestações físicas, sorrisos e expressões de júbilo diante de um palestrante-pregador, que caminhava dinamicamente no palco, mexendo com a emoção das pessoas. Usando um microfone auricular, ele dominava a massa anunciando uma mensagem de grande impacto no ambiente. Realmente parecia muito com muitas de nossas igrejas atuais.
Algumas observações pude fazer a partir dessa imagem:

As pessoas estão em busca de uma mensagem que impacte suas vidas. Dentro da perspectiva da experiência pós-moderna, parece que nem precisa ser verdadeira, mas precisa impactar.

As pessoas estão dispostas a investir bastante dinheiro em busca de uma mensagem que as alimente a esperança em meio a um mundo tão competitivo e instável. O cenário está extremamente aberto a indivíduos de forte presença pessoal que sejam capazes de se comunicar usando o seu “carisma” pessoal.

A religião do mundo pós-moderno

A busca do potencial humano está se tornando a religião do mundo pós-moderno. Ela tem sua confissão de fé – o homem é divino e seu potencial, ilimitado.

Ela tem suas próprias escrituras sagradas – todo o corpo de escritos da auto-ajuda que encoraja os indivíduos a buscarem dentro deles mesmos todos os recursos necessários para o seu sucesso pessoal.

Tem a sua concepção de salvação - salvar os homens da ineficácia, da mediocridade profissional e da ignorância que os impedem de desfrutar de todo o seu “potencial” levando-os à realização pessoal nesta vida.

Tem uma visão ecumênica e relativista – tudo que puder ser usado a favor dessa busca de realização pessoal do potencial humano pode e deve ser incluído na vida pessoal. Não importa seus pressupostos, origens  ou práticas.

Tem sua própria liturgia – envolve práticas místicas e psicológicas de auto-indução, êxtases coletivos, mantras, “orações” e outras formas de jargões de auto-estímulo.
Tem os seus mestres – Há uma infinidade de “pastores” e “pregadores” do potencial humano, todos procurando testemunhar como suas técnicas e mensagens funcionam a partir de sua própria experiência de desenvolvimento pessoal – é o “testemunho pessoal do pregador”.

Eles têm os seus templos e locais de retiro – seus templos podem ser encontrados em confortáveis salas com ar condicionado e cadeiras estofadas em pequenos ou grandes hotéis de luxo espalhados pelo mundo. Seus locais de retiro são sítios ou fazendas onde os “retirantes’ podem ser levados a vivências de pesado impacto pessoal, procurando gerar “mudanças rápidas” em pouco dias de encontro na vida dos seus participantes. Isso nos parece bastante familiar, não?

Tem um forte poder de atração – o discurso do potencial humano é o tipo de discurso que precisa ser mantido fresco e avivado no coração do ouvinte para que se mantenha a “energização” pessoal em dia. Isso produz uma espécie de dependência intelectual e emocional deste discurso motivacional.

A pregação atual

Um ponto que me preocupa bastante nesta reflexão é a questão: Qual é fronteira entre a pregação atual e a mensagem do potencial humano?

Muitas vezes, os pregadores atuais estão sendo tentados a misturar a revelação bíblica com as expressões de mensagens oriundas e focadas no mundo do potencial humano, gerando grande popularidade e aceitação, mas levando ao povo alimento espiritual contaminado.

As imagens e as ênfases da pregação do potencial humano são muito atraentes e produz impacto quase automático; isso se constitui em uma grande atração aos pregadores atuais, que muitas vezes acabam sucumbindo pela tentação dos números e dos resultados rápidos, tanto em freqüência, quanto nas finanças.

Uma pregação centrada no homem, em que se destaca apenas o pretenso potencial humano para se desenvolver e resolver todos os seus dilemas, falando apenas das “bênçãos” de se conquistar e de se restituir riquezas perdidas, enchem auditórios e os bolsos.

O estilo pessoal suntuoso de alguns pregadores, ditos evangélicos, também nos remonta aos gurus do potencial humano; seu carros, roupas e ambientes altamente preparados geram uma atmosfera de modernidade, sucesso e poder que também tem sido altamente atraente em muitos contextos eclesiásticos.

Muitas vezes a fronteira entre os pregadores do potencial humano e dos pregadores evangélicos se mistura, e se confunde. Isso é perigoso, pois a mensagem do evangelho é única e inigualável. Se esta mistura tem ocorrido em alguns contextos é porque a mensagem do evangelho está sendo deturpada e não porque a mensagem do potencial humano, como tem sido propagada pela maioria dos seus mestres, tenha respaldo bíblico.

É preciso resgatar na pregação séria uma antropologia bíblica correta e equilibrada em que o homem possa se conhecer como ele realmente é: ”nem verme e nem Deus”. E conhecer a Deus naquilo em que ele se revelou a nós. Alguém já disse que: “uma visão correta de Deus produz uma visão correta do homem”.

Como pregadores, não podemos deixar de anunciar “todo desígnio de Deus.” Isso envolve: O pecado pessoal e coletivo, a fraqueza humana e o poder de Deus, o plano de Deus para o homem em Cristo, o potencial do homem regenerado pelo Senhor, a incapacidade humana para se salvar a si mesmo, a verdadeira ambição sob a ótica cristã, a graça restauradora de Deus, etc.

As fronteiras entre a pregação do potencial humano e do genuíno evangelho precisam ser bem demarcadas sob pena de vermos gerações de cristãos enganados, acreditando em mentiras e em engodos superficiais e frágeis, porém com grande poder de atração, mas que quando provadas pelo fogo do juízo de Deus serão reprovadas e revelarão as conseqüências de se viver com os pés firmados nas nuvens dos discursos vazios.

A mensagem do Senhor entregue pelo profeta Zacarias ao líder Zorobabel é hoje tão relevante como foi naqueles dias da reconstrução do templo:

“...Está é a palavra do Senhor a Zorobabel:  Não por força nem por poder, mas pelo meu Espírito, diz o Senhor do Exércitos.” Zacarias 4.6

Paulo, o grande apóstolo,  testifica de onde vinha  o seu potencial:

“Não que possamos reivindicar qualquer coisa com base em nossos próprios méritos, mas a nossa capacidade vem de Deus.” 2 Coríntios 3.5

Os pregadores bíblicos precisam renovar seu compromisso com a mensagem do evangelho e não se deixar levar pelo grande apelo que a mensagem do potencial humano exerce sobre as pessoas e, às vezes, sobre o próprio pregador. Senso crítico, dependência de Deus, piedade sadia, conhecimento e discernimento bíblico são fundamentais nessa hora.

O povo precisa do alimento sólido e consistente que vem da palavra de Deus e que tem o poder de restaurar o homem levando-o a ser realmente aquilo que Deus planejou que ele seja. Desenvolvendo assim o seu verdadeiro potencial como pecadores regenerados pela maravilhosa graça de Deus.

Vamos demarcar as fronteiras entre a mensagem do potencial humano e a mensagem do poder de Deus sobre os homens! Para o bem do povo, para a edificação de uma igreja séria e firmada na Palavra, e para a glória do nosso Deus.

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Título do artigo: Pregação do potencial humano x pregação bíblica
Autor: Ednilson Correia de Abreu

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