
O mar
Enos Moura Filho
Publicado em 26.07.2011
"Angra dos Reis e Ipanema
Iracema e Itamaracá
Porto Seguro, São Vicente...
...Boa Viagem, Ubatuba
Grumari, Leme e Guarujá
Praia Vermelha, Ilhabela...
...Portão e Porto de Galinhas..."
(Lulu Santos)
Este é o trecho de "Descobridor dos 7 mares", onde Lulu Santos canta algumas das mais belas praias do Brasil. (pena que não entrou nenhuma da ilha de Fernando de Noronha).
O visual de quando se está chegando lá é tão bonito que parece que toda a aproximação para pouso é um vôo panorâmico. A água do mar vai passando de um azul escuro de águas profundas para um azul mais claro, até assumir tons de verdes escuros e ainda mais claros até chegar à praia de areia amarelinha e virgem, emoldurada pelo branco das espumas das ondas quebrando na arrebentação, num espetáculo que lembra as cores do nosso Brasil. Parece que se quer afirmar que "sim, no nosso país também há lugares paradisíacos".
Como bom caiçara que mora longe do mar, sinto falta dele. É tão agradável, depois de um dia difícil, a caminho de casa, parar na orla, tomar uma água de côco, jogar uma bolinha com os amigos na areia, sentir a brisa do mar, o seu cheiro.
Ah, isso a internet (ainda) não conseguiu reproduzir. Se quero ver imagens do mar e praias, consigo, mas o cheiro peculiar da maresia, só indo lá juntinho dele.
O apóstolo João, em Apocalipse 21.1, dá uma notícia que, num primeiro momento, soa muito triste para os que gostam do mar: ele vai desaparecer:
"E vi um novo céu, e uma nova terra. Porque já o primeiro céu e a primeira terra passaram, e o mar já não existe". Ap 21.1
João estava descrevendo a morada celestial, a Nova Jerusalém. Como pescador que era, João tirava do mar seu sustento. Ele conhecia o mar muito bem. E via nele fonte de renda mas também algo que poderia lhe custar muito, devido às limitações quem impunha aos homens.
Conforme aprendemos com teólogos e estudiosos da Bíblia, o livro de Apocalipse tem várias ilustrações e usa muita linguagem figurada. Eles também entendem que, nessa passagem, João se refere ao mar como algo de ruim que não mais existirá no Céu, quando estivermos na presença do Senhor por toda a eternidade.
Antes da época das Grandes Navegações, os marujos europeus temiam singrar os mares pois criam que a Terra era chata. Acreditavam também que, após a linha do horizonte, onde a vista não mais alcançava a imensidão dos mares, havia um abismo onde poderiam cair no nada, no infinito. Esse foi um dos principais desafios a ser superado. Até então, as navegações eram feitas margeando a linha da costa do continente, a uma distância de onde se pudesse ver terra firme.
O mar, para João, poderia representar uma separação, uma limitação física. Ele já sabia, pelas palavras do próprio Cristo, que tinha acesso ao Pai através do Seu sacrifício, no entanto, após a ressureição de Cristo, não havia mais Sua presença tangível. No Céu estaremos lado a lado com Ele.
Outro sentido que podemos denotar é que o mar, quando revolto, dá trabalho, gera preocupação, inquietação. É perigoso, deve ser respeitado, pois pode ceifar a vida dos que o afrontam. No novo céu e nova terra vislumbrados por João e descritos no livro de Apocalipse, não haverá mais nada que possa gerar sentimentos de inquietação e desconforto na vida. Só haverá paz e segurança na Santa presença de Deus.
"E Deus limpará de seus olhos toda a lágrima; e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor; porque já as primeiras coisas são passadas." Ap 21.4
No evangelho de Marcos, no capítulo 6, há a descrição de um evento singular: quando os discípulos estão enfrentando um mar revolto e Jesus vai ter com eles andando sobre as águas e aquieta o mar, exortando-os a terem bôm ânimo e não temer. Pedro até tentou ir encontrá-lo ainda sobre as águas, mas temeu e começou a afundar, sendo resgatado por Jesus.
É junto com esse mesmo Jesus que estaremos, não haverá mais temor, não haverá mais como afundarmos.
Não sei se o mar, aqui no sentido literal, ou seja, aquele montão de águas, vai ou não fazer parte da paisagem celestial, porém pouco me preocupa, pois todo aquele bem estar que hoje sinto ao contemplá-lo, o seu aroma, suas cores, seu movimento, em nada me farão falta. Não mais sentirei saudades, pois estarei na Glória do Senhor.
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Título do artigo: O mar
Autor: Enos Moura Filho