INSTITUTO JETRO - ARTIGOS - Liderança Pastoral - Gente em busca da gente: ENSINE a multidão!

Gente em busca da gente: ENSINE a multidão! Cleison Mlanarczyki
Publicado em 03.10.2008

Este é o quarto artigo de uma série de sete publicada com o título "Gente em busca da gente". Clique sobre o nome do autor para ler os outros.

Chegamos ao quarto gesto de Jesus diante da multidão no deserto. Conforme a narrativa do Evangelho segundo Mateus 14.13-21, Jesus percebeu de imediato que atitudes deveriam ser tomadas, por isso procurou, compreendeu e conformou-se à multidão.

Lembre-se que o Mestre se retirou para descansar. Talvez você entenda que Jesus “fugiu” para o deserto, pois “lidar com gente não é fácil”. Aliás, pode estar sendo exatamente esta a tua situação: dificuldade para lidar com gente.

Mas o fato de Jesus ter se retirado ou fugido é irrelevante. Retirar-se ou fugir, aqui, indica a mesma realidade: liderar gente enquanto se proclama o Reino de Deus é trabalho cansativo. Era assim com Jesus, é assim na tua igreja e é assim na minha igreja. Por ser esta a realidade, vamos adiante!

De acordo com que escrevi nos três artigos anteriores, procurar e compreender são gestos informativos, necessários para que se conheçam as pessoas e o contexto no qual estamos inseridos.

Já o terceiro gesto, conformar-se, apesar de também auxiliar na compreensão contextual, é um gesto “formativo”, não visa apenas conhecer, mas, também, assumir uma atitude empática diante da realidade. Jesus sabia que sem conformar-se à multidão, não seria possível dar o próximo passo: o ensino.

Jesus ensinou a multidão para apresentar um caminho e uma esperança. Ensinar, de acordo com o senso comum, significa mostrar um caminho. Assim, ensinar difere de informar. Informar significa apresentar conteúdos para assimilação. Ensinar significa primeiramente dizer “é por ali”, e a seguir mostrar como se vai. Todo ensino deve ser auto-sustentável (para utilizar uma expressão em voga).

Mas em Jesus há uma realidade diferente. Na verdade, aliada à tarefa de mostrar o caminho, Jesus “agregava valor” ao seu ensino. Como fazia isto? Com estimulação. Jesus tornou-se um mestre excelente porque foi capaz de conduzir seus discípulos ao pelo caminho não apenas com informação, mas também com estimulação. Penso estar aqui a tênue diferença do ensino de Jesus: caminho mais estímulos igual esperança.

Jesus ensinou a multidão para mostrar o caminho, mas também para dar esperança. Será que não é isto que falta em tua liderança? Pense bem, o referencial humano sempre foi confuso, não é um “privilégio” da pós-modernidade. Sempre foi difícil ensinar com qualidade. É assim agora. Foi assim em todos os momentos críticos da história humana. Ora, na época de Jesus, o poder político era estrangeiro (Império Romano), o poder sócio-cultural era estrangeiro (helenismo) e o poder religioso era “estrangeirado” (fundamentalismo judaico, com todas as suas posturas “fora de órbita”). Lá, o mundo também era confuso.

Por isso é tão prático compreender este quarto gesto de Jesus. A Palavra de Deus, por ser viva e eficaz (Hb 4.12) e jamais voltar a Deus vazia (Is 55.11), narra que Jesus ensinou a multidão porque compreendeu que sem caminho não há esperança. Sem caminho as pessoas param onde estão, desanimam, ficam deprimidas, morrem sem transformação.

Se você é urbano, habitante de uma grande cidade, e está pensando ser a depressão, a falta de compromisso e a vida “anestesiada” as características peculiares às pessoas que vivem nos ambientes urbanos, tome cuidado com absolutismos. Mais importante do que culpar a vida urbana é compreender a fuga humana. Tanto a cidade, como o deserto, carecem de direção. E é justamente por isso que as pessoas próximas a você fogem para o deserto, mesmo morando na sua cidade. As pessoas fugiram da cidade para ir atrás de Jesus. O texto mostra uma fuga física aliada a outra fuga geográfica. Corpos deslocaram-se para um lugar diferente. Hoje, não são muitos os que podem ir “para o deserto”, que conseguem se “retirar” para um hotel ou um congresso, para a praia ou para uma casa de campo em “busca de Jesus”. Mas são muitos os que se deslocam emocionalmente para o deserto. São almas praticamente sem corpo (quase assombrações) fugindo para um lugar distante e solitário, para lá tentar encontrar caminho e estimulação (ou seja, esperança). Isto acontece na cidade. Isto acontece no campo. Isto acontece no coração.

Por isso Jesus ensinou a multidão.

Mas há ainda uma dúvida crucial, não é mesmo? Afinal, em que momento o texto de Mateus 14.13-21 mostra Jesus ensinando? A resposta é simples: gesto. Jesus ensinou a multidão com uma atitude, e não com palavras (leia novamente o texto e veja qual foi a atitude de Jesus). Tem sido assim também contigo? A liderança pastoral em nosso contexto está precisando mais de gestos do que palavras. Jesus ensinou a multidão para que, através de um simples gesto, pessoas aprendessem a ensinar pessoas.

Ensine a multidão.

Reprodução Autorizada desde que mantida a integridade dos textos, mencionado o autor e o site www.institutojetro.com e comunicada sua utilização através do e-mail artigos@institutojetro.com

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Site: www.institutojetro.com
Título do artigo: Gente em busca da gente: ENSINE a multidão!
Autor: Cleison Mlanarczyki

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