
Gente em busca da gente: CONFRONTE a multidão!
Cleison Mlanarczyki
Publicado em 15.01.2009
Este é o sexto artigo de uma série de sete publicada com o título "Gente em busca da gente". Clique sobre o nome do autor para ler os outros.
Chegamos ao sexto gesto de Jesus diante da multidão no deserto. Conforme a narrativa do Evangelho segundo Mateus 14.13-21, Jesus percebeu de imediato que atitudes deveriam ser tomadas, por isso procurou, compreendeu, conformou-se, ensinou e alimentou a multidão.
Agora, neste sexto gesto, Jesus assumiu uma postura que poucos desejam assumir: Jesus confrontou a multidão. Acredito não ter sido fácil nem mesmo para Jesus confrontar as pessoas que o seguiam e derramavam diante de si todas as suas angústias e amarguras, tristes condições de vida adquiridas ao longo de anos vivendo neste mundo cheio de aflições (Jo 16.33). Realmente, não deve ter sido fácil nem mesmo para Jesus ter que mostrar as responsabilidades inerentes aos atos de cada pessoa.
Mas o Mestre não fugiu de sua missão. Enquanto atitude relacional, Jesus mostrou que o líder deve assumir o seu compromisso com as vidas que estão sob a sua guarda, sob o “seu cajado”. O ministério pastoral exige a postura de confrontação em inúmeras circunstâncias, pois o homem convocado por Deus para tal missão não tem nada a perder quando a exerce com integridade e respeito.
Mesmo assim, confrontar pessoas não é uma tarefa fácil, nem tampouco agradável. Pois a confrontação exige predisposição a ser confrontado. O que significa isto? Significa que a cada vez que confronto um dos meus liderados, atribuo-lhe uma oportunidade recíproca em também me confrontar. A confrontação jamais deve ser realizada sob motivações de retaliação ou intenções vingativas, mas sempre abrirá espaço para que ambas as partes possam ser avaliadas. Jesus sabia disto, e resolveu adotar o caminho contrário à liderança autoritária. Ao invés de proibir que os seus liderados o confrontassem, Jesus entendeu ser coerente adotar uma vida irrepreensível, preferiu ser uma “panela sem alça”, sem lugar para pegar, sem motivos para ser confrontado.
No episódio da multiplicação dos alimentos, Jesus nos oferece uma possibilidade real de confrontação. Sempre que leio este texto e imagino a cena, tenho a sensação que num determinado momento Jesus quase percebe a minha presença no ambiente, e fico imaginando o seu olhar se deslocar daquelas pessoas em direção ao “meu esconderijo”, como se estivesse me dizendo: “veja o que farei agora. Aja desta maneira e tudo te irá bem”. A sensação é estranha, mas percebo que Jesus nos deixou a dica para a confrontação no ministério pastoral.
Em primeiro lugar, Jesus confrontou os seus líderes, os mais próximos, aqueles que já estavam há algum tempo ao seu lado, aqueles que não podem se dar ao luxo de cometer tantos erros. São estes, os mais próximos (no caso de Jesus, os seus discípulos) que devem orientar os desorientados e alimentar os famintos. Ao dizer “Eles não precisam ir. Dêem-lhes vocês algo para comer” (Mt 14.16), Jesus confrontou aqueles que já estão com os olhos abertos, mas ainda não enxergam.
O pastor que confronta os seus líderes preocupa-se antes com proteção do que com exortação. Confrontar não é criticar. Confrontar não é uma oportunidade para tornar clara a incompetência do outro. Confrontar não é um jeito de “mostrar quem manda”. Antes, confrontar é procurar, compreender, conformar-se, ensinar e alimentar a multidão, ou seja, confrontar é aplicar todos os gestos anteriores demonstrados por Jesus em um só evento (saiba mais lendo os cinco artigos anteriores desta série).
Em segundo lugar, Jesus confrontou toda a multidão. Aqui, a sua preocupação não foi com os líderes, mas sim com os homens e mulheres que seriam liderados por seus discípulos. Ao pegar aqueles cinco pães e dois peixes, Jesus não se constrangeu em olhar para o céu e dar graças a Deus por tão pouca comida. Não sei quanto a você, mas eu me sentiria incomodado com esta cena. Jesus confrontou a multidão com um gesto, sem dirigir uma palavra sequer às pessoas, mostrando que um só homem pode doar apenas alguns pães e peixes, e que se o povo quisesse que fosse deste jeito, então desse jeito seria. Aos poucos, todos aqueles que escondiam a sua comida, foram convencidos pelo Espírito de Deus do seu pecado (Jo 16.8). Jesus confrontou sem ofender, sem palavras agressivas, sem atitudes de mágoas. Jesus confrontou apenas ao agir, mostrando que a participação de cada um era muito importante.
Confronte a multidão.
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Título do artigo: Gente em busca da gente: CONFRONTE a multidão!
Autor: Cleison Mlanarczyki