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Gente em busca da gente: AME a multidão!


Publicado em 12.02.2009

Este é o último artigo de uma série de sete publicada com o título "Gente em busca da gente". Clique sobre o nome do autor para ler os outros.

Chegamos ao último gesto de Jesus diante da multidão no deserto. Conforme a narrativa do Evangelho segundo Mateus 14.13-21, Jesus percebeu de imediato que atitudes deveriam ser tomadas, por isso procurou, compreendeu, conformou-se, ensinou, alimentou e confrontou as pessoas.

Agora, Jesus assume a postura que, para a grande maioria, é a mais difícil: Jesus amou a multidão.

Jesus amou a multidão procurando as pessoas, correndo atrás das “ovelhas sem pastor”, oferecendo a cada uma o perdão, ajudando a livrá-las do orgulho consumidor de vidas, entendendo que os outros podem também ser santos mesmo sendo diferentes.

Jesus amou a multidão compreendendo as pessoas, porque sem isso não se pastoreia gente, não se descobre que “todo ponto de vista é a vista de um ponto”, não se aceita a dinâmica missão de lidar com vidas, não se discerne que jamais se deve ajudar as pessoas sem antes compreendê-las.

Jesus amou a multidão conformando-se às pessoas, pois foi assim que Deus se compadeceu conosco, esvaziando-se a si mesmo, encontrando-se me forma humana. Sem tomar a forma do pecado, Jesus entendeu o ser humano ao conformar-se conosco, e agora espera que os Seus escolhidos também se conformem com as ovelhas dispostas pelo caminho que Ele mesmo já trilhou.

Jesus amou a multidão ensinando as pessoas, principalmente ao estipular a prioridade dos gestos sobre as palavras. Jesus ensinou a multidão ao erguer os olhos aos céus, sem murmurar por ter nas mãos apenas cinco pães e dois peixes. Jesus ensinou a multidão para que, através de um simples gesto, pessoas aprendessem a ensinar pessoas.

Jesus amou a multidão alimentando as pessoas, mesmo que alguns em nosso meio sempre insistam em esconder a comida, pois Ele sabe que Deus quebranta o coração avarento, e cabe a nós fornecer o alimento que temos em mãos.

Jesus amou a multidão confrontando as pessoas, pois mesmo não sendo tarefa fácil, colocou-se à disposição para ser questionado, indagado e avaliado, sem medo de ser rejeitado, cobrado ou criticado. Jesus adotou o caminho oposto à liderança autoritária, escolheu o caminho de uma vida irrepreensível.

Ninguém tem maior amor do que este: de dar alguém a própria vida em favor dos seus amigos” (Jo 15.13), falou o próprio Jesus, o mestre no entendimento das gentes. E entender de gente não é fácil, mas quem se apresenta para este desafio geralmente alcança resultados recompensadores.

Jesus descobriu que, para compreender a multidão, seria necessário amá-la. E isto ele fez. Muitos acham que Jesus não teve dificuldades em amar as pessoas, pois sendo Deus isto já estaria pré-estabelecido desde o inicio dos tempos. Alguns pensam que a Jesus não pode ser atribuído nenhum mérito por amar as pessoas, pois ele fez aquilo que já havia sido programado em seu coração. Para estas pessoas, Jesus não se desfez de toda a sua glória (kenosis, isto é, esvaziamento) para assumir a forma de servo e se tornar em semelhança aos seres humanos (cf. Fp 2.7). Para estas pessoas, Jesus se esvaziou de sua forma de Deus para assumir um corpo cibernético, um ser informatizado e movido à eletricidade, gerenciado por um código binário capaz de conduzi-lo à prática exata de suas responsabilidades. Ou seja, para estas pessoas, Jesus não amou, apenas agiu conforme o combinado.

Como podes perceber, prezado leitor, discordo amplamente desta idéia. Em minha opinião (e parece que também na opinião da Palavra de Deus) Jesus precisou sim aprender a amar, principalmente aqueles que não apresentavam uma natural afinidade com o seu jeito de ser. Jesus aprendeu a amar se interessando plenamente pelas pessoas, procurando compreender a cosmovisão das gentes e aprender o sentido de vida da multidão. Somente depois disto, iniciou o seu ministério. Daí por diante, teve autoridade para afirmar: “Novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros; assim como eu vos amei, que também vos ameis uns aos outros” (Jo 13.34), e ainda dizer “não fostes vós que me escolhestes a mim; pelo contrário, eu vos escolhi a vós outros e vos designei para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça; a fim de que tudo quanto pedirdes ao Pai em meu nome, ele vo-lo conceda” (Jo 15.16).

Talvez não seja fácil para você amar alguém, muito menos uma multidão, cheia de pessoas insensíveis, intransigentes, petulantes e arrogantes. É difícil querer bem a quem não se esforça para se livrar do orgulho e da teimosia, da inveja e do rancor, não é verdade? Não sei te dizer se foi fácil para Jesus amar as pessoas. É bem provável que em alguns momentos Jesus tenha pensado exatamente como eu e você freqüentemente pensamos: “Amarei aqueles que merecem o meu amor, a minha dedicação, o meu cuidado e o meu carinho”.

A Palavra de Deus não nos exige um aspecto do amor de Jesus: o amor sacrificial na cruz do calvário. Não há mais necessidade de morrer para unir alguém a Deus, pelo menos, não teologicamente. A morte de Jesus foi a maior demonstração de amor já vista na história da humanidade. E também a mais difícil de ser realizada. Talvez seja por isso que o mundo não mais necessite de uma morte assim. Jesus é o Cordeiro de Deus e o sacrifício eterno já foi realizado.

Mas o amor precisa ser exercido.

Todas as seis atitudes relacionais anteriores demonstradas por Jesus evidenciam um tipo de amor muito diferente do que estamos acostumados. As atitudes de Jesus expressas no texto bíblico não se referem à maneira como compreendemos o amor, mas enfatizam o amor enquanto uma atitude.

Amar, de acordo com os gestos e as palavras do Mestre não significa o que geralmente entendemos, mas significa agir como Deus amou. Não preciso ser Deus parar amar como Deus amou. Amar, para Jesus, é oposto ao “amor comercial” que conhecemos (ou quem sabe, que praticamos), um relacionamento feito a base de trocas. Para Jesus, quem se compromete a amar, ama sem desejar receber nada em troca, ama desejando ser fiel sem receber garantias de fidelidade, ama desejando perdoar sem receber garantias de perdão, ama desejando aceitar sem receber garantias de ser aceito. Isto sim é Amor. Caso contrário, não estarei amando, e sim fazendo comércio, realizando um negócio.

Talvez, querido leitor, você esteja pensando: “Mas amar não é isso? Afinal, para que eu possa amar, eu preciso de garantias, preciso ter certeza de que não serei ferido, ter certeza de que não serei traído, ter certeza de que não serei machucado. Sem garantias não posso amar”.

Mas Jesus aprendeu (e nos ensinou) o tipo de Amor mais excelente: Amar significa doar sem ter certeza de receber. Por isso amar é difícil, pois o Amor aceita as pessoas como elas são! Mais do que abraços, carinhos, palavras, sorrisos ou bons momentos. O Amor não exige garantias, aceita sem a certeza de ser aceito.

Por quê? Porque quem ama age em amor, não negocia atitudes. Simplesmente ama.

Ame a multidão.

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Título do artigo: Gente em busca da gente: AME a multidão!
Autor: Cleison Mlanarczyki

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