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Como eu me vejo, como você me vê + lido em abril 2009


Publicado em 09.04.2009
Um processo de Feedback 360º analisa diferentes percepções do comportamento de um indivíduo, através do levantamento de informações de quem se relacione com esta pessoa de forma constante e contínua.
Nas empresas e organizações em geral, este processo contribui para a avaliação do desempenho segundo as observações das pessoas que têm convivência diária com quem está sendo avaliado, ou seja, superior imediato, pares, subordinados e clientes.

A finalidade sempre é a de proporcionar uma visão ampla, por isto 360º, e ajudar a pessoa a perceber seus pontos fortes e também as áreas em que pode se desenvolver, cuidando de relacionamentos e comportamentos que possam ser prejudiciais a ela própria, à sua equipe de trabalho ou à organização.

E como a ferramenta pode ser aplicada?
Que passos práticos seriam necessários?

Uma ferramenta de ajuda como Feedback ou Avaliação 360º deve ser adaptada. Pode ser aplicada para grupos ministeriais ou para as diferentes funções existentes nas igrejas, ministérios e organizações cristãs. Lembrando que neste tipo de avaliação, supomos sempre um grupo de pessoas que opinam sobre a mesma pessoa.

Preliminarmente à avaliação de outros, há a auto-avaliação e isto permitirá a comparação a respeito de “Como Eu me Vejo” e “Como os Outros Me Vêem”.

Em geral sugerimos que 5 a 8 pessoas por participante, possam dar uma informação relevante e consistente, sendo pessoas que convivam há algum tempo, e com freqüência suficiente para perceber comportamentos, atitudes e competências uns dos outros.

A informação pode ser sigilosa ou não, sempre respeitando a participação do avaliado na escolha de seus avaliadores. Esta escolha também ajuda a refletir o quanto esta pessoa deseja receber informações sinceras, não escolhendo somente aqueles com quem tem maior afinidade, mas também os que não são tão fácil lidar já que geralmente são necessários ajustes para que relacionamento flua bem.

De forma similar como ocorre nas empresas, o uso da ferramenta por si só, não garante nenhum resultado e, por isto pessoas preparadas precisam orientar o processo, validando o que deve ser perguntado, ou que padrões de comportamento e conduta são esperados e em que nível cada pessoa se encontra, de acordo com a percepção dos que trabalham juntos.

Com um processo bem conduzido, existirá uma grande oportunidade de crescimento e desenvolvimento.  Acredito muito que, aliados aos preceitos espirituais e seguindo a direção de Deus, esta é uma forma de ajuda na formação de equipes fortes, maduras e alinhadas.

Após o resultado, ou relatório do Feedback, as pessoas podem assinalar suas oportunidades de desenvolvimento, identificando áreas onde o comportamento precisa ser ajustado ou modificado, segundo a percepção de outros.  Esta é a parte mais importante – a mudança. Comprometer-se com mudanças é desafiador, mas também é a forma mais importante de se caminhar para melhor.

Graças a Deus, temos conosco o Espírito Santo de Deus para nos ajudar a conduzir, alterar e ajustar comportamentos que possam ser improdutivos para os relacionamentos.

Se houver acompanhamento da liderança, este processo ficará ainda melhor e a pessoa poderá sentir-se apoiada em suas necessidades e dificuldades para caminhar.

E na Igreja, como isto poderia ocorrer? 
Teria alguma utilidade? Como poderia ser aplicada?

Venho trabalhando com consultoria de Gestão de Pessoas, com foco em desenvolver e valorizar as pessoas na organização há bem mais de 20 anos e, apesar de não ter visto ainda a aplicação do Feedback ou Avaliação 360º nas Igrejas, considero que poderia ser muito útil, em função de alguns fatos que relato a seguir.

Temos experimentado nas igrejas evangélicas um crescimento importante e também preocupante.  Há um chamado pastoral, de liderança para as Igrejas e, creio totalmente que AQUELE que fez o chamado, é o mesmo que CAPACITA.  

Entretanto, temos que concordar que o ambiente da Igreja é diversificado em todas as formas possíveis e liderar não é a tarefa mais fácil que se pode ter em nossos dias.

Sabemos também que para o cristão a habilidade de liderar não está relacionada somente na sabedoria humana, mas sim na receptividade em ouvir a orientação de Deus, na obediência à Sua Palavra e, também a condição de viver um alto padrão a fim de exemplificar Jesus em seu comportamento, seja em palavras ou ações.  Em verdade, os líderes têm mais do que um chamado, têm uma designação divina que devem desempenhar.

Está exposto um pequeno e grande desafio: como líderes que também carecem do tratamento especial do Senhor podem conduzir e ajudar o crescimento espiritual das ovelhas? Como estabelecer, treinar e acompanhar novos líderes para permitir o crescimento de nossas Igrejas?

Neste sentido, uma ajuda poderia ser bem vinda, se for ajustada e seguindo estritamente o maior mandamento: Ama a teu próximo, como a ti mesmo, como está escrito em João 13:34: Um novo mandamento vos dou: Que vos ameis uns aos outros; como eu vos amei a vós, que também vós uns aos outros vos ameis.

O amor não é um sentimento ou uma preferência, porém uma decisão e uma forma de comportamento. Por isso viver esta decisão carece obediência e preparação.

O Feedback 360º é uma forma de aprender a ajudar os outros com amor e verdade

Já que o amor é forma de comportamento que pode ser observado, outros comportamentos também podem ser percebidos e redirecionados.

A nosso favor, enquanto cristãos, temos o auxilio do Grande Conselheiro, o Espírito Santo, por isto numa aplicação deste processo, orar, pedir direção de Deus, olhar o “irmão” com misericórdia, paciência e amor, fará com que, mesmo com muita verdade, o processo seja repleto de amor.

Aliás, amor e verdade precisam andar juntos quando se fala de Feedback.  A verdade sem amor, pode ser dura e cruel, enquanto a mentira com Amor, não leva a nada e, ainda por cima é MENTIRA.  

Há tanto comportamento inadequado precisando ser tratado em nossas Igrejas, existem tantos desvios de educação, cultura, personalidade, caráter que são refletidos em atitudes negativas, onde pessoas acabam sendo isoladas, feridas, sendo mal tratadas em seus relacionamentos. Ministérios são desfeitos por total inabilidade de tratar as situações, que muitas vezes se acumulam e acabam virando um grande abismo.

Muitos pulam de igreja em igreja, feridos, destratados por total falta de transparência e sinceridade no trato dos problemas que precisam ser acompanhados e serem apoiados nos processos dolorosos de mudança.

Cada vez mais podemos nos valer de dons espirituais e também da sabedoria e do
conhecimento para aliviarmos sofrimentos. Assim, desistir de pessoas ou justificar com ditados comuns como “A figueira está sendo sacudida e os maus frutos vão cair” não podem mais fazer parte das nossas igrejas num tempo em que precisamos mais e mais ser canal de salvação, de amor, de benção, de cura.   

O Senhor quer nos usar e, podemos sim ajudar-nos mutuamente a enfrentar as dificuldades, orar, compreender uns aos outros e aprender a ter domínio próprio, naquilo que ainda não conseguimos modificar.

A igreja é um local aberto a todos e por isso é necessário conviver com diferentes situações e ajudar pessoas a melhorar a cada jornada, para que se cumpra toda a obra proposta pelo Senhor para usa noiva amada – a Igreja.    

Percebendo o que fazemos, falamos e
como nossos comportamentos afetam os outros
Se olharmos alguns Capítulos do Livro de Atos dos Apóstolos, veremos que a unidade existente entre os líderes do Novo Testamento era tanto espiritual como prática, promovendo união profunda, podemos até supor que eles trabalhavam bem para desenvolver as suas “equipes”.  Assim, quando as pessoas podem se relacionar livremente, ajudando umas às outras, isto significa amadurecimento, crescimento emocional e espiritual, que produz bons frutos para igrejas sólidas e sadias.

A prática de perceber o que fazemos, falamos ou como os nossos comportamentos afetam outros nos ajuda a melhorar a cada dia. Assim, se podemos oferecer uma ajuda estruturada para que isto aconteça, então por certo será eficaz e ajudará.

Nós somos responsáveis pela forma como nos tratamos uns aos outros e a natureza divina nos ajuda a resolver os conflitos pessoais, liberando, assim afeição e benevolência.  Na 2ª carta de Pedro, capítulo 1, ele assim nos orienta: E vós também, pondo nisto mesmo toda a diligência, acrescentai à vossa fé a virtude, e à virtude a ciência, E à ciência a temperança, e à temperança a paciência, e à paciência a piedade, E à piedade o amor fraternal, e ao amor fraternal a caridade. Porque, se em vós houver e abundarem estas coisas, não vos deixarão ociosos nem estéreis no conhecimento de nosso Senhor Jesus Cristo.

Deste modo, concluo este artigo considerando que podemos utilizar alguns instrumentos que estão disponíveis na vida secular para as empresas se, tivermos o olhar espiritual e o temor de Deus acima de todas as coisas.

A igreja como organização humana a serviço do Reino de Deus, deve primar pela excelência em tudo quanto fizer e, especialmente nos relacionamentos. Por isto todos podem e devem sim, ajudar uns aos outros praticando o maior mandamento que é o amor ao próximo, usando o fruto do Espírito Santo em todas as suas formas: alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio para desenvolver o relacionamento, contribuindo para o crescimento de cada igreja e cada ministério.

Reprodução Autorizada desde que mantida a integridade dos textos, mencionado o autor e o site www.institutojetro.com e comunicada sua utilização através do e-mail artigos@institutojetro.com

Leia Também:
Faça um checklist da sua liderança
Feedback - Dicas para dar e receber
FeedBack: Responsabilidade de todo líder

 

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Site: www.institutojetro.com
Título do artigo: Como eu me vejo, como você me vê
Autor: Ana Maria Rédua Giamarino

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