
Princípios para uma vida fiscal digna 1
Guilherme Rodrigues Spolador
Publicado em 03.05.2010
Falarei de um assunto pouco tratado nas igrejas hoje em dia, mas que de certa forma atinge uma boa classe de empresários, autônomos e profissionais liberais, cristãos: Princípios para uma vida fiscal digna, assunto polêmico e cheio de dúvidas.
Constantemente nos indignamos com a corrupção que ronda nosso país. Questionamos a gestão do dinheiro público e o descaso do governo com os direitos civis. Vejo, particularmente, como sadio tal manifestação. Por outro lado devemos vigiar para que esta indignação não seja fomentada por nossa justiça própria e nos transforme protestantes a gestão pública em corruptos solidários, ignorando os princípios deixados por Jesus a cerca deste assunto. Pagar nossos impostos de forma correta requer um exercício ainda maior de fé se comparado à entrega dos dízimos e ofertas.
Em Ml 3.10-12, Deus diz: "Trazei todos os dízimos à casa do tesouro, para que haja mantimento na minha casa, e depois fazei prova de mim, diz o Senhor dos exércitos, se eu não vos abrir as janelas do céu, e não derramar sobre vós tal bênção, que dela vos advenha maior abastança. Também por amor de vós reprovarei o devorador, e ele não destruirá os frutos da vossa terra; nem a vossa vide no campo lançará o seu fruto antes do tempo, diz o Senhor dos exércitos. E todas as nações vos chamarão bem-aventurados; porque vós sereis uma terra deleitosa, diz o Senhor dos exércitos."
Como prova de fé e obediência todo cristão tem como prática a entrega dos dízimos e das ofertas. Tenho visto muitos testemunhos de pessoas que praticam este princípio e tem sido grandemente abençoado financeiramente. Isto por que Deus tem um compromisso com sua palavra e a honra. Por outro lado nossa Carta Magna, mais conhecida como Constituição Federal de 1988, em seu artigo 6º diz: "são direitos sociais a educação, a saúde, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção maternidade e a infância, a assistência aos desamparados"
Assim como Deus nos garante alguns direitos no cumprir do principio dos dízimos, o governo tem nossos direitos inscritos na constituição. Direitos estes que em sua forma escrita é linda e justa, mas que na prática não funciona por estar inserida em uma sociedade corrupta.
A comparação do pagamento dos impostos de forma correta com a entrega dos dízimos, assim como a comparação da Palavra de Deus com a Constituição Federal, é de certa forma insana. De um lado temos o governo e juristas formados por pessoas que nem sempre cumprem com o que está escrito, e de outro, Deus que honra sua palavra. Se tratarmos o assunto de forma natural certamente encontraremos enormes divergências, vejamos algumas delas no quadro abaixo:
Entrega do Dizimo | Pagamento dos impostos |
Não pagamos, apenas devolvemos; | Somos obrigados a pagar; |
Devolvemos com a certeza de que Deus irá administrar; | Pagamos com a incerteza de suas aplicações; |
A palavra não muda será sempre 10%; | As leis são alteradas diariamente, não sabemos exatamente quanto iremos pagar. |
Devolvemos para um Deus que nos supri. | Pagamos a um governo que deixa a desejar. |
Analisando esta comparação nota-se uma grande diferença entre darmos ou devolvermos e a obrigação de pagar. Creio que seria mais confortável se os impostos fossem um custo dentro da realidade ou pagaríamos com mais satisfação se tivéssemos a certeza de que as aplicações destes recursos fossem administradas com mais responsabilidade e respeito. Se assim como Deus, o sistema governamental de nosso país honrasse com o que está escrito, principalmente, no que diz respeito aos direitos sociais. Melhor ainda seria se as leis fossem mais simplificadas e soubéssemos exatamente o custo que teríamos com tal obrigação, visto que nossa legislação é um emaranhado de leis que dificulta qualquer planejamento.
Análises como estas são tecnicamente plausivas considerando as dificuldades do cotidiano, afinal, quem nunca se manifestou contra as dificuldades enfrentadas em um pais até então "sub-desenvolvido", com tantos problemas sociais e econômicos, porém, estes problemas tem sido o combustível ideal para ignorar os princípios de Deus e tratarmos este assunto como algo natural. Se retornarmos a uma comparação da entrega dos dízimos, poderíamos trocar o discurso e de forma natural questionar a administração do presbitério da igreja do dinheiro arrecadado. Certamente se deixarmos esta semente brotar em nossos corações deixaríamos de exercer tal prática da mesma forma.
Apesar de revoltante e muitas vezes humilhante, precisamos entender que do ponto de vista bíblico assim como o dízimo, o pagamento de impostos é um assunto puramente espiritual. Se tivéssemos esta ótica, talvez, abriríamos mais o nosso coração para a cura do Senhor nesta área e consequentemente poderíamos ser libertos da tentação do "jeitinho", para não pagarmos impostos.
A bíblia nos ensina claramente diversos conceitos e princípios a cerca deste assunto, mas antes mesmo de entrarmos no estudo destes princípios, gostaria que refletisse no texto de I Cr. 29.11,12: "Tudo o que existe nos céus e na terra é seu, ó Senhor, e seu é este reino. Nós adoramos a Deus porque Ele dirige todas as coisas. Riqueza e honra vêm somente do Senhor, e Ele é o Governador de toda a humanidade; sua mão controla força e poder, e é por sua vontade que os homens se tornam importantes e recebem força"
Entendendo o texto acima, sabemos que nada é nosso, pois tudo pertence ao Senhor, somos apenas mordomos de Deus, é Ele quem governa nossas vidas e nos dá força para conquistar algo. É com este entendimento que gostaria de entrar neste estudo, tratando do assunto de forma espiritual e não mais de forma natural. No mesmo texto de Ml.3, Deus faz um desabafo quanto ao posicionamento do seu povo nos dízimos. Da mesma forma o pagamento dos impostos deveria ser respeitado com seriedade, pois ao contrário do que muitos pensam a não prática deste princípio também nos impede de crescer. No quadro abaixo veremos uma nova comparação, agora do ponto de vista espiritual para os dois princípios:
Entrega do Dizimo | Pagamento dos impostos |
Estabelecido por Deus (Lv 27.30-32); | Estabelecidos pelo governo que por sua vez é estabelecido por Deus. (Dn 2.21); |
Deus nos ensina como fazer (Lv 27.30-32); | Jesus também nos ensina (Mt. 17:27); |
Nos dá autoridade (Ml. 3.10); | Nos firmam em nossos propósitos (Pv.16:12); |
Um gesto de honra ao Senhor (Pv. 3:9-10); | Um gesto de honra (Rm 13:7-8); |
O não pagamento denigre nossa imagem para com Deus (Ml. 3:8-9). | O não pagamento denigre nossa imagem para com nosso ministério (Rm. 13-5-7). |
Esta comparação traz de forma clara o porquê devemos pagar nossos impostos de forma correta. Cumprir com este princípio é entender que tudo foi estabelecido por Deus, que fomos ensinados pelo próprio Jesus tal prática que ajuda a consolidar nosso negócio, traz honra a Deus e nosso país, além de manter a boa imagem e o caráter.
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Título do artigo: Princípios para uma vida fiscal digna 1
Autor: Guilherme Rodrigues Spolador