
O 2º nível de maturidade da Igreja
Ronaldo Pontes Moura
Publicado em 12.11.2010
Este artigo é uma sequência dos artigos Níveis de maturidade da Igreja e Até onde amadurecer? escritos pelo mesmo autor. Para ler os anteriores, clique no título ou no nome do autor.
De maneira geral o modelo de maturidade das capacidades organizacionais (CMM), investiga os processos dentro de uma organização e a sua qualidade de gestão. Tal investigação serve para dizer se um processo, ou se a organização inteira, possui uma forma estável de ser administrado, reportando aos interessados todas as informações relevantes, estabelecendo controles eficientes e proporcionando um crescimento linear em suas atividades finalísticas.
O CMM é apresentado em cinco níveis (inicial ou ad hoc, repetível, definido, gerenciado e otimizado), dos quais já tivemos oportunidade de falar em um artigo anterior.
Também já discutimos qual seria o nível de maturidade ideal para uma organização religiosa (uma igreja ou entidade denominacional, por exemplo). Mas não discutimos ainda o que é necessário para avançar do nível inicial de maturidade para o nível repetível. É isso que faremos agora.
O CMM atua sob seis critérios diferentes: (1) Comunicação e consciência; (2) Políticas, planos e procedimento; (3) Ferramentas e automação; (4) Habilidades e especialização; (5) Responsabilidade e responsabilização; e (6) Definição de objetivos e métricas.
Cada um desses critérios, no entanto, encontra cinco níveis de maturidade, onde as exigências de organização são aumentadas para que os processos ou a organização possam ser considerados mais maduros. Faltando evolução em um desses itens, não se pode considerar que o nível seguinte foi atingido.
O critério de consciência e comunicação define a consciência que os gestores possuem de que é necessário organizar e amadurecer os processos, bem como a qualidade da comunicação dada a todas as partes interessadas sobre o andamento, o planejamento ou a efetivação de um processo/projeto da organização.
Para que a organização passe do nível 1, para o nível 2 de maturidade, é necessário que os gestores entendam a necessidade de agir, não apenas como reação aos problemas existentes, mas por entender que precisa atingir algum(ns) objetivo(s).
Também é necessário que a comunicação sobre o funcionamento completo da organização (ou processo) seja feita a todos os interessados.
Sobre Políticas, planos e procedimentos, uma organização que parte do nível 1 de maturidade para o nível 2 precisa manter uma mínima documentação de seus processos e políticas.
A forma de agir em determinadas situações precisa ser registrada, para que o processo possa se repetir.
Essa documentação inicial ainda não é precisa, mas certamente extrapola o velho livro de atas e passa a contar com um modelo próprio de formulário, manual, ou documentação de atividades que sirva para orientar os futuros gestores, os substitutos e até mesmo os interessados de outras áreas sobre como as coisas devem ser feitas naquela organiação.
Quanto às ferramentas e automação, o nível repetível de gestão, por exigir maior controle de documentações, deve considerar a implementação de alguns sistemas informatizados, tanto para os controles financeiros, quanto para os registros de decisão e até mesmo as etapas de elaboração de projetos.
Você pode dizer rapidamente qual a idade de sua organização, quantos congressos promoveu, quem foram os líderes dos últimos 20 anos, ou quantos filiados possui? Se a resposta as essas perguntas necessitar de uma longa busca em livros de atas e uma ampla investigação junto aos membros mais antigos, significa que você ainda está no nível 1.
Para o nível 2 já é necessário manter um mínimo controle informatizado sobre tudo o que for necessário saber e o acesso a essas informações já deve contar com facilidade de acesso e algum tipo mínimo de proteção contra perdas.
Sobre habilidades e especialização temos a considerar que uma organização que vislumbre o amadurecimento deverá prover meios de capacitação de seus membros, mas também deverá saber como identificar as habilidades existentes no grupo.
Muitas pessoas abandonam nossas igrejas/denominações, porque suas capacidades são ignoradas e subutilizadas. Por essa razão correm para um lugar onde possam ser mais úteis.
Quantos líderes estamos perdendo? Se não é possível responder a essa questão, nem mesmo estimar um valor, significa que não temos qualquer interesse em controlar as capacidades das pessoas que estão à nossa volta.
No nível 2 de maturidade torna-se necessário desenvolver pessoas para novas habilidades e reconhecer as já existentes, de forma a aumentar a eficiência dos processos, aprimorar a qualidade da organização e estimular o maior envolvimento da equipe.
Por fim, temos o critério de definição de objetivos e métricas, que é responsável por transformar em números a qualidade do serviço prestado por nossas organizações.
O amadurecimento de qualquer organização passa, sem dúvida pelas métricas. Uma organização ou processo que almeje pelo menos o segundo nível de maturidade, precisará desenvolver os seus controles financeiros, fundamentais para justificar os investimentos e a captação de novos recursos.
Não é possível mais arrecadar recursos e fazer gastos sem explicar a todos os contribuintes e patrocinadores o que foi feito com os recursos arrecadados.
O nível 2 de maturidade, apesar de identificar que as métricas financeiras existem apenas para a diretoria, não impede nossa prática salutar de deixar transparente para nossos "financiadores" onde os recursos estão sendo aplicados.
Com base na observação desses seis critérios e o que significam para o desenvolvimento organizacional, será possível evoluir de um estágio inicial de maturidade para um estágio repetível de organização. Certamente esse avanço será considerado como especial por todas as pessoas que desejam o melhor desenvolvimento do reino.
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Título do artigo: O 2º nível de maturidade da Igreja
Autor: Ronaldo Pontes Moura