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Expandindo competências


Publicado em 15.09.2009
Observa-se, tanto em estudos acadêmicos quanto nas práticas empresariais, que o desenvolvimento acelerado e contínuo de novas tecnologias torna cada vez mais rápida e eficiente a comunicação e, portanto, a troca de informações e conhecimentos intra e entre organizações. A referida constatação contribui para o surgimento de sociedades baseadas no saber, que têm como principal característica a transformação de informações a priori, desconexas em conhecimento utilizável.

Percebe-se que a riqueza de um país depende antes do potencial de conhecimento a que as organizações têm acesso, da forma como o organizam e da capacidade de transformá-lo em diferencial competitivo. Nesse contexto, se insere a importância do desenvolvimento de estudos sobre aprendizagem, seja em caráter individual seja em caráter organizacional, pois o conceito de conhecimento concorre para a idéia de que conhecer é construir significados, o que se dá a partir das relações que o sujeito estabelece entre o objeto a conhecer e sua própria capacidade de observação, de reflexão e de informação. Compreender o processo de aprendizagem é, pois, adquirir conhecimentos que auxiliam colaboradores e empresas a construir significados para suas ações.

A melhor compreensão do conceito de aprendizagem permite abordar algumas questões e suas respectivas respostas que hoje, reconhecidamente, mantêm instituições capazes de desenvolver-se de forma sustentável, são elas: como se dá o desenvolvimento de processos capazes de aumentar a efetividade da aprendizagem individual? Como se dá a influência do ambiente e das condições de trabalho sobre a capacidade das pessoas de adquirir conhecimentos? Como se dá a transferência de aprendizagem do indivíduo para o grupo, do grupo para a organização e da organização para o indivíduo? Como transformar a aprendizagem adquirida em competências? As respostas a estes questionamentos permitem à organização ampliar seus limites de conhecimento sobre aspectos que influenciam diretamente sua capacidade de aprender, seja individual ou organizacionalmente.

Constitui-se, pois, em um desafio, na medida em que a teoria da aprendizagem organizacional está em estado embrionário e muito pouco se sabe a respeito de como as organizações aprendem e, conseqüentemente, como a aprendizagem individual transfere-se para a organizacional e vice-versa. Além disso, como relatam Pantoja e Borges-Andrade (2004), existem dois axiomas que precisam ser destacados; o primeiro é que as organizações são sistemas multiníveis, que integram processos existentes nos níveis individual, grupal e organizacional; o segundo deles é que a aprendizagem é um processo psicológico que ocorre no primeiro desses níveis; portanto, no sentido estrito desse processo e contrariando parte da literatura contemporânea em administração, equipes e organizações não aprendem. Todavia, a expectativa é de que os instrumentos e discussões aqui expostas contribuam para que haja uma ampliação do entendimento da teoria e demarque a posição central dos indivíduos e seus respectivos estilos de aprendizagem para a ampliação de competências que permitam a organização evoluir conforme necessidades ambientais.

Infelizmente, a maioria das organizações propagam um modelo de aprendizagem chamado single-loop, ou de ciclo único, mais voltado para o aprendizado do saber produzir. Ou seja, o foco está em entender o sistema implantado para dele melhor usufruir, não se questiona nada, apenas busca-se a melhor execução. Percebe-se que este modelo não expande competências, somente cria habilidades específicas para uma realidade específica. Quando esta realidade mudar, ninguém sabe mais o que fazer. Contudo, existe um outro modelo, o double-loop, ou de circuito duplo, voltado não somente para o saber produzir, mas também para a produção do saber, as organizações que incitam este aprendizado levam os indivíduos a constantemente se perguntarem se não há uma melhor forma de realizar o que realizam, se não há novos conhecimentos disponíveis, enfim, cria-se pessoas capazes de expandir competências conforme demandas ambientais e não somente repetidores de modelos pré-fabricados.

Conclui-se que a criação e expansão de competências, tidas como capacidades de realizar universais, dependem de aprendizado contínuo e questionador do status quo, e não do aprendizado restrito a realidades específicas, que na verdade desenvolve habilidades que perdem a função quando a realidade muda. Enfim, a expansão de competências está intimamente dependente do aprendizado em circuito duplo. Organizações que se limitarem a copiar modelos de gestão bem sucedidos e implantá-los, estarão fadadas à dependência de pessoas capazes para tal, ao passo que, se desenvolverem competências próprias, terão condições de aprimorarem o que for necessário, quando necessário, dentro de uma rotina considerada normal.

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Título do artigo: Expandindo competências
Autor: Luciano Munck

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